Dividas impagáveis sobre sentenças imorais
I
Quando sabemos que a vida de alguém ou a própria é bem sucedida ou um fracasso? Quais são as atitudes e postulados sociais que determinam isso? Aqui, encontramos uma plêiade de noções, fatos constatados pelas correntes da psicologia e filosofia, pelas réguas do senso comum e crenças forçadas goela abaixo. Engraçado, é falar do que nos é empurrado e não perceber que somos os principais responsáveis por autorizar e desejar que isso ocorra. Isso se aplica especialmente a nossa sociedade tão bela e borbulhante de uma belle époque caustica. O mundo exala sucesso, exala a conquista e o desbravamento, e somos cobrados por isso diariamente, assim como os países pobres eram cobrados pelos bancos internacionais nos anos 80 e 90. Que época bucólica! Ou tu se tornas mestre de ti e do mundo ou tu és o fracasso.
II
Alegre-se meu jovem! Alegre-se! Tu que vis a vida tão rapidamente e fluidamente há de saber que a vida acaba cedo se és conformado e não pensas, porque o pensar supostamente dói. Creio que é necessário que uma coisa deva ser tocada, bem na visão do grande Alberto Caeiro, pois o pensar, desde que seja contaminado com o pessimismo e uma racionalidade irreal, torna-se a doença dos olhos e torna o mundo um malmequer de medo, horror e covardia. Pensar é positivo desde que não seja um pensar podre, porém isso não exime de que agir apenas com o instinto é bom. Engana-se! A bestialidade é a porta para a perdição, bem, uma das.
III
Quem sabe o que há de comum entre essa sublime divisão abissal do sucesso e do fracasso, do pensar e do instinto e todos os adereços que cercam essas pequenas coisas? A soma é que a civilização ocidental é das criações humanas que mais fazem para a confusão do que podemos chamar de alma humana. Desde os tempos dos bisavós das criações modernas, há uma situação em que nós seres humanos somos nada mais que crianças perdidas em meio ao caos natural do mundo. Aqui somamos uma pequena coisa trazida pelos gregos, o conceito da caixa de pandora. A própria existência do mundo implica que o caos existe e que nossas ações podem abrir a chance do caos em nossas vidas. Além desses dois elementos, temos que considerar algumas coisas que todos esquecemos, bem, grande parte da humanidade, que o ato metafisico de viver e estar vivo trás as consequências disso, que são os sofrimentos, medos e coisas negativas. Meu caro, não, isso não anula a beleza do amor, a delicadeza do beijo ou a força das amizades!
IV
Apenas digo o ponto de vista, um tanto cético quando ao mundo e esses conceitos tão opressores, pois ao olhar ao redor de outras pessoas, creio que com o devido cuidado de observação, veremos o que as pessoas sentem sobre tudo isso e como se comportam. Aqui dou um exemplo um tanto comum. Das pessoas que por natureza são tímidas e que a sociedade fez o maravilhoso favor de não as converter para uma socialização vivida, mas sim os condenou por sua timidez e sobre essa condenação é cobrada a pena e a divida de vencerem a vida enquanto presos nas correntes da mente, pois a timidez é o medo de socializar e o medo se aprofunda ao passo que somos expostos a situações que o fortifiquem.
V
O que esses podem fazer com essa divida incobrável sobre uma sentença imoral?


